Casca de coco verde vira insumo ecológico no campo

Fibras do resíduo orgânico , de difícil degradação , têm sido usadas em substituição à terra nos cultivos

O aproveitamento de lixo orgânico , como cascas de coco verde e seco e de arroz e bagaço de cana , representa uma economia de milhões de reais e contribui para reduzir a poluição. O mercado brasileiro de água-de-coco , com crescimento estimado em 20% ao ano , produz 6 , 7 milhões de toneladas casca de coco verde/ano , calculadas com base em 90 mil hectares cultivados com a fruta no País. Segundo o pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical , Fred Carvalho , 70% do lixo produzido no litoral dos grandes centros é composto por cascas de coco , de difícil degradação.

SUBSTRATO

Em Holambra (SP) , vários produtores já utilizam a fibra de coco seco como substrato para o cultivo de flores e hortaliças , em substituição à terra nos vasos. O Sítio Pedra Branca começou o cultivo de gérberas em 2002 , inicialmente em outro substrato e apenas uma pequena área em fibra de coco , como teste. 'Soubemos que a fibra já era usada até na Europa , com bons resultados' , diz o chefe de Produção do sítio , Bernardo Krabbenborg.

'O resultado foi tão bom que passamos a usar a fibra do coco seco em toda a área de gérberas' , diz , e aponta vantagens: facilidade de manejo da cultura e de drenagem , evitando o encharcamento das raízes.

Pelo fato de o substrato de coco seco proporcionar boa drenagem nos vasos , Krabbenborg diz que divide a água em várias regas por dia. Das 8 da manhã e de hora em hora , até as 15 horas , ele fornece 3 minutos de água ou cerca de 50 mililitros por rega. 'Toda a água usada na rega tem fertilizante.' Atualmente , o sítio tem 1 , 5 hectare de estufa com gérbera em vasos , ou 90 mil plantas.

MORANGO E HORTALIÇAS

As 45 estufas de mudas de hortaliças e de morango - 6 mil metros quadrados de cada - do Sítio Santa Maria , em Itatiba (SP) , são cultivadas em substrato de coco seco há quatro anos. Há 18 anos , José Luis Batistela (Juca) , dono do sítio , produz mudas em estufa , inicialmente em substrato de casca de pinus ou de arroz com turfa e vermiculita. 'Essa mistura dava muita variação , então substituímos pelo substrato de coco seco , que garante uniformidade das mudas e é de fácil manejo.'

Segundo Juca , a irrigação , manual , é feita três vezes ao dia , e a fertirrigação , em dias alternados , substituindo uma das irrigações diárias. As mudas recebem os nutrientes por fertirrigação , à base de NPK e minerais.

A produção exige muita mão-de-obra. Ao todo , são 22 empregados nas estufas , além de familiares. 'A semeadura é diária , à medida que uma produção é vendida , vamos semeando outra.' As mudas são vendidas na região , por encomenda. São 1 , 8 milhão de mudas de morango/safra e cerca de 2 milhões de mudas de hortaliças/mês.

Informações
Embrapa , tel. (0--85) 3299-1800; Sítio Pedra Branca , tel. (0--19) 3802-2869; Sítio Takane , tel. (0--11) 9929-6161; Coobcoco , tel. (0--85) 3289-3573

(fonte: 05/09/2007 -  Jornal o Estado de São Paulo/ suplemento  Agrícola)

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