Indústrias como Dell e IBM criam programas para recolher equipamentos velhos
Andrea Vialli
Com as vendas de computadores pessoais batendo recordes no Brasil - a expectativa é que sejam vendidos 10 milhões de máquinas até o final do ano , 20% a mais que em 2006 - , aumenta a preocupação com o descarte de máquinas e componentes usados. Muitos consumidores ainda não sabem o que fazer com seu lixo tecnológico , mas empresas do setor e ONGs começam a criar programas de reciclagem dos equipamentos.
A fabricante de computadores Dell lançou no ano passado um programa de recolhimento de máquinas. Já estão em operação dois centros de reciclagem , em São Paulo e Porto Alegre. O consumidor que entrar em contato com a companhia por meio do site terá seu computador recolhido , sem custo. 'A empresa avalia o estado das máquinas , recondiciona o equipamento e depois o envia para ONGs que façam trabalhos relevantes de inclusão digital' , diz Gleverton Munno , gerente de assuntos corporativos da Dell Brasil.
O programa é global , e tem meta de recolher 125 mil toneladas de equipamentos até 2009. A empresa não divulga números da reciclagem no Brasil , mas , segundo Munno , o aumento de pedidos de recolhimento é proporcional ao crescimento das vendas de PCs.
A IBM , que hoje fabrica servidores para mercado corporativo - o grupo vendeu a divisão de PCs para a Lenovo - , também recolhe equipamentos dos clientes , que são desmontados e voltam ao mercado como matérias-primas. 'Foram 18 toneladas de plástico e 186 de metal recuperadas em 2006' , diz João Luiz Bianchini , coordenador de meio ambiente da IBM Brasil.
Ainda não há no País legislação específica para o descarte do lixo tecnológico. Há projetos de lei em nível estadual e uma proposta parada no Congresso. 'As empresas estão se antecipando porque a regulamentação sobre lixo tecnológico terá de ocorrer inevitavelmente' , afirma Kami Saidi , diretor de operações do Mercosul da HP Brasil. A empresa recolheu ano passado 2 , 8 toneladas de pilhas e baterias e está ampliando sua estratégia de reciclagem.
O Comitê para Democratização da Informática (CDI) , que atua com inclusão digital , também recebe computadores usados de empresas e pessoas físicas. Foram 5 mil máquinas recolhidas em 2006 , e a ONG está buscando parceiros para aumentar a eficácia do programa. 'Temos um projeto de criar fábricas de remoldagem de equipamentos nas principais capitais , onde faríamos esse trabalho de reciclagem em larga escala , ajudando as empresas com o descarte' , diz Celso Fernandes , coordenador do CDI-Rio.
(Matéria publicada no jornal o Estado de São Paulo , 8 de agosto de 2007 – página B14)
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